Mês da Bíblia 2017 Estudo da 1ª Tessalonicenses

“Anunciar o Evangelho e doar a própria vida! (cf. 1Ts 2,8).

 

A Igreja do Brasil, mais uma vez nos convida a aprofun-

dar o nosso conhecimento e nossa vivência da Palavra

de Deus. A proposta deste ano, mais uma vez, está em

sintonia com a Conferencia de Aparecida. Ela retoma a

segunda parte de seu lema: “Para que n’Ele nossos po-

vos tenham vida”. Somos convidados refletir juntos so-

bre a primeira Carta aos Tessalonicenses. Em 2016 re-

fletimos Miqueias com um destaque para a vida em fa-

mília. Agora, o destaque será para a vida de comunida-

de. Paulo deu o melhor de si para anunciar a Boa Nova

de Jesus, por isso, o lema que vai animar o nosso estu-

do é “anunciar o Evangelho e doar a própria vida! (cf.

1Ts 2,8). Somos motivados a dar o melhor de nos mes-

mos para o serviço do anúncio do Evangelho e para o

crescimento do Reino de Deus.

Nosso anseio é que este estudo, motivado pelo Mês da

Bíblia deste ano, fortaleça nossa fé, anime nossas comunidades, ilumine a presença dos leigos(as) como verdadeiros sujeitos eclesiais e abram pistas para o serviço de evangelização, sobretudo diante dos novos desafios da cidade. Que possamos “Anunciar o Evangelho e doar a própria vida” (cf. 1 Ts 2,8), “Para que n’Ele nossos povos tenham vida”.

 

A Palavra chega à Tessalônica

A Tessalônica era uma importante cidade da região da Macedônia, muito bem localizada à beira mar. Ela também era atravessada pela via Egnatia, uma estrada que ligava Roma, a capital, aos principais pontos do Império, com um contínuo ir e vir de produtos e de pessoas. Lucas, que é discípulo de Paulo, nos oferece uma breve apresentação do caminho feito pela Palavra na Tessalônica (At 17,1-9). Ele mostra o passo a passo desse anúncio da Boa Nova de Jesus.

Conforme seu costume habitual, ao chegar à Tessalônica, Paulo dirigiu-se primeiramente ao povo judeu. Na sinagoga, pregou por três sábados, argumentando que “O Cristo é Jesus, que vos anuncio” (At 17,3; 1Ts 2,14-15). Algumas pessoas aderiram à pregação: judeus, gregos e um considerável grupo de mulheres (At 17,4).

Diante desse pequeno sucesso na sinagoga dos judeus, Paulo se dirigiu em seguida aos gentios e passou a reunir-se na casa de Jasão. Possivelmente, quando Paulo propõe formar uma comunidade, a população o entendeu como um convite a reativar algo próprio da época que era a “assembleia popular”, visto que a palavra ekklesia [igreja] significava tanto assembleia política, quanto igreja em sentido religioso. Por esse motivo, os judeus reagem contra a pregação de Paulo e o conflito se agrava. Eles queriam prendê-los e entregá-los ao Senado da cidade (At 17,5-8). O conflito foi tão acirrado, que tiveram que fugir durante a noite, até Bereia, e depois para Atenas. O processo evangelizador durou aproximadamente dois meses. De Atenas, apreensivo, Paulo “não resistiu mais” (1 Ts 3,1), ficou aí sozinho e enviou Timóteo a Tessalônica. Este traz boas notícias da caminhada de fé da comunidade.

 

A Palavra se espalhou

Tessalonicenses é uma comunidade formada em meio à luta, perseguição, trabalho árduo, batalha incessante. Um foco de perseguições é descrito como proveniente das autoridades judaicas, poderosas, na época: “Estes mataram o Senhor Jesus, como mataram os profetas e como também perseguiram a nós; não procuram agradar a Deus e são inimigos de todos” (2,10).

A leitura da Carta nos desafia a cultivar uma espiritualidade no conflito. A defesa da vida nos coloca na contramão dos que tiram proveito da corrupção, da violência e da morte. Anunciar o Evangelho e defender a vida são os dois lados de uma mesma moeda. A realidade desse anúncio incomoda, o discípulo missionário deve estar disposto a doar a própria vida (2,8). Foi assim com Jesus e com os profetas, bem como com os cristãos de Tessalônica (1 Ts 2,15-16). Será assim, com mais razão, nos tempos de hoje quer no campo ou na cidade, Mas Deus não abandona os seus missionários. Deus os fortalece e está junto em sua luta.

 

Permanecer firme no Senhor –

Paulo não específica quais são os motivos que o impedem de visitar a comunidade, mas os atribui ao “Tentador”, o mesmo Satanás que já havia impedido que ele retornasse à comunidade (2,18, cf. 1Cor 7,5). O receio de Paulo é que Satanás torne infrutífera a proclamação do Evangelho e enfraqueça a fé dos tessalonicenses. É difícil crer que este “Tentador” seja um ser sobrenatural. É possível que Paulo evite dar o nome verdadeiro. E então devemos pensar novamente no império romano e seu sistema repressor. Este sim teria o poder de prender Paulo e impedi-lo de visitar a comunidade. O “Tentador” seria este sistema do império e suas ramificações bem estruturadas, que vai contra a mensagem do Evangelho.

Por causa da compreensão de que Cristo logo voltaria, alguns membros da comunidade deixaram de trabalhar e se acomodaram pois, muitos colocavam em comum o que possuíam. Essa atitude era ainda reforçada pelo pensamento dominante na época em que a honra consistia em não trabalhar. Paulo indica outra via: “Que vos empenheis em viver tranquilos, ocupando-vos dos vossos próprios negócios e trabalhando com as próprias mãos, como vos ordenamos” (4,11). E prossegue na mesma tecla da honradez: “Assim, estareis levando uma vida digna aos olhos dos que não são da comunidade, e não tereis necessidade de ninguém” (4,12).

 

Andar como filhos da luz

É preciso caminhar na luz: a distinção entre filhos das trevas e filhos da luz ocorre na conversão inicial e a vida do cristão segue o caminho da luz, assume novo modo de vida em Cristo como filhos da luz. Devem estar sempre prontos, sóbrios, vigilantes como as dez virgens do Evangelho com lâmpadas acesas a espera do noivo. Os filhos das trevas estão adormecidos, isto é embriagados, e não percebem que o Senhor está perto.

Para andar na luz é preciso vigilância: “Não dormir”, “vigiar”, “ser sóbrios” (v.6). A exortação à sobriedade é própria dos filhos da luz. Vem repetida em 1Ts 5,8 com o acréscimo da vivência das virtudes da fé, do amor e da esperança. A vigilância dá identidade à vida cristã. Significa que os cristãos “filhos do dia”, caminham sob a luz de Cristo, com um novo projeto de vida.

O final da 1ª e da 2ª Carta aos Tessalonicenses fazem um apelo à oração e ação de graças: “A oração é a respiração da alma”! Como a comunidade poderia resistir na fé, recobrar o ânimo em meio aos sofrimentos? Certamente com a ajuda de orações contínuas. “Orai continuamente” (1Ts 5,17). Os missionários dão graças a Deus e sempre se lembram da comunidade nas orações (1Ts 1,2). No fim da carta pedem que orem continuamente (1Ts 5,17). É um reconhecimento que o anúncio da Palavra em meio a sofrimentos e tribulações produziu fruto, pela graça de Deus.

Vale a pena dedicar um pouco de tempo na leitura desta carta que é o primeiro texto do Novo Testamento. Motive o Mês da Bíblia em sua comunidade, este é um caminho importante para a animação bíblica de toda a nossa pastoral. Que a Palavra de Deus que é “alma da teologia”, seja também a alma de toda a nossa atividade pastoral.

 

 

Denilson Mariano

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