Mês da Bíblia 2018 - LIVRO DA SABEDORIA

Para que n’Ele nossos povos tenham vida

“A Sabedoria é um espírito amigo do ser humano” (Sb 1,6)

 

O mês da Bíblia é uma oportunidade para aprofundarmos o conhecimento e a prática da Palavra de Deus em nossa vida pessoal, familiar, comunitária e social. O encontro com a Palavra, feito na fé da Igreja, é um encontro com o Senhor e todo verdadeiro encontro com Ele nos faz mais humanos, mais missionários e solidários. Que este encontro com o livro da Sabedoria seja uma luz para iluminar e aquecer a nossa caminhada em meio aos desafios e dificuldades que vivenciamos.

Seguindo a proposta da CNBB, nós, juntamente com toda a Igreja do Brasil, vamos refletir sobre o livro da Sabedoria. Ele foi escrito entre os anos 100 e 50 antes de Cristo. É o último livro do Antigo (Primeiro) Testamento a ser escrito. Não se sabe o nome do seu autor, mas o texto revela que ele era um membro ativo da comunidade judaica da Alexandria, no Egito. Ele não um teólogo, nem um filósofo, mas uma pessoa de fé, com profunda visão da Lei de Deus, dos conhecimentos da época e da situação do povo. Um fiel que lê os acontecimentos com os “olhos de Deus” e assume a sua missão profética. Ele busca da Sabedoria, medita sobre os acontecimentos e denuncia os abusos dos governantes injustos sobre o povo. Eles vão passar pelo julgamento de Deus (6,1-11). Ele anuncia que a vitória definitiva será da Justiça e da Vida (5,1-20).

O livro da Sabedoria foi todo escrito em grego, língua mais difundida na época, usada pelos grandes pensadores, os filósofos. Em algumas partes, o autor faz uso de um recurso muito comum na antiguidade. Ele escreve como se fosse uma pessoa mais importante para dar mais valor e autoridade ao escrito. O autor fala como se fosse o rei Salomão (cap. 6 a 9), colocando seus ensinamentos nos lábios dele. Eis o motivo pelo qual esse livro ficou conhecido como: “Sabedoria de Salomão”. Mas vale destacar que, no conjunto de sua obra, o autor não dá nome aos seus personagens.

Este livro nasceu como uma forma de ajudar o povo a superar o sofrimento, a opressão e a perseguição. Seu autor conhece muito bem os escritos do Antigo Testamento e faz uso deles, de tal forma que eles transparecem em todo o texto. O autor cita os acontecimentos do Egito (cap. 10 a 19) para iluminar a situação vivida pelo povo. Mas aqui, o Egito não diz respeito ao tempo do Êxodo, refere-se antes às perseguições sob os reinados de Ptolomeu VII e VIII (nos anos 140 a 80 a.C.), trata-se de uma crítica aos sucessores de Alexandre Magno no Egito. É um texto dirigido primeiramente aos judeus que tinham entrado em contato com as novas correntes de pensamento da Alexandria, a grande capital do Egito, e começavam a se deixar seduzir por elas. Mas também queria atingir os pagãos, pessoas vindas de outras religiões, mas que demonstravam interesse pelo Deus de Israel, pelo jeito dos judeus viverem a sua fé.

Apesar de toda essa riqueza, o livro da Sabedoria não faz parte da lista dos livros da Bíblia Hebraica. O motivo disto é que ele não foi escrito em hebraico, mas em grego, e foi escrito na Alexandria, ou seja, fora da Terra Santa. Numa situação de migrantes desafiados a conservar a fé em uma terra estrangeira em meio a outros costumes e religiões diferentes. Por esse motivo ele não foi inserido na lista da Bíblia Hebraica. Eis também o motivo pelo qual ele não aparece nas Bíblias evangélicas que desde a primeira tradução segue a lista Hebraica. No entanto, o livro da Sabedoria influencia diversos livros do Novo (Segundo) Testamento, como o Evangelho de João e a Carta de Tiago.

O livro nasceu com objetivo de ajudar a vencer a alienação imposta como idolatria oficial. Era tão atrativa a cultura dos opressores que ameaçava esmagar os costumes, os bons princípios e os ensinamentos que o povo recebera de Deus. Havia uma grande atração pelos escritos gregos, da ciência, sobretudo da filosofia. Os membros do povo mais inteligentes e estudados começaram a pensar que a sabedoria dos gregos era superior à sabedoria do Deus de Israel. Dava impressão que a sabedoria dos poderosos era mais bonita e forte que a Sabedoria de Deus. O livro da Sabedoria vai desmascarar essa falsa ideia e mostrar que a Sabedoria de Deus é maior que a sabedoria dos homens de Alexandria.

Às vezes desprezamos o que temos e supervalorizamos o que vem de fora. Nem sempre o mais belo ou o mais emocionante é o que de fato revela a presença de Deus. De forma brilhante o autor do livro da Sabedoria soube ajudar o povo de Deus a revalorizar a sua fé e sua cultura diante das filosofias de seu tempo. Soube recuperar a beleza de Deus que, com sabedoria e força, caminha junto de seu povo. Ele também pode nos ajudar muito hoje.

Como de costume, nosso estudo está organizado em sete encontros que nascem sempre a partir da Palavra de Deus. No desenvolvimento, além de um aprofundamento sobre o livro da Sabedoria tem sempre uma referência a Jesus Cristo que é a luz que ilumina toda a Escritura. Cada encontro termina com uma palavra do Papa Francisco, vinda de sua última Exortação: “Alegrai-vos e Exultai!” Ele nos convida a trilhar o caminho da santidade. Será uma forma de nos aproximar da Sabedoria de Deus nas Escrituras e da Sabedoria da Igreja na palavra do Papa. Mas o decisivo é aprofundar o nosso discipulado missionário, como verdadeiros sujeitos na Igreja e na sociedade colocando em prática a justiça que nos vem pela Sabedoria de Deus.

 

 

Denilson Mariano

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